Bohemian Rhapsody: A Rapsódia da Lenda [Crítica]

Bohemian Rhapsody

Eu não sei nem por onde começar este post. Passei tanto tempo esperando por esse filme, ao ser lançado não pude vê-lo na estreia. Mas, hoje eu consegui assisti-lo e foi uma das melhores experiências da minha vida. Principalmente falando como fã do Queen que nunca pôde e nem poderá estar em um show da banda com o icônico Freddie Mercury. Então, vamos lá falar sobre Bohemian Rhapsody! Mas antes, como sempre, é bom deixar claro que este post trata-se de uma crítica sem spoilers. Sendo assim, se você ainda não assistiu ao filme, pode ficar tranquilo. E, mesmo que em algum momento eu vá falar algo que possa comprometer sua experiência, você será avisado. Mas sem mais delongas, vamos lá!

Bohemian Rhapsody

O longa é uma biopic, ou seja uma biografia, em filme, do Freddie Mercury e a ascenção do Queen. A intenção é apresentar quem era Freddie Mercury fora dos palcos e como se deu todo o sucesso de sua banda. Sendo assim, o filme mostra como o cantor entra para a banda Smile e a transforma em Queen. Além de apresentar momentos icônicos para a história do rock e da música mundial, como a gravação da própria Bohemian Rhapsody, da composição de Love Of My Life, We Will Rock You, entre outras. Não obstante, o filme ainda nos mostra a relação, por vezes, conturbada da banda e a relação de Freddie com seus pais, amigos e amantes.

Bohemian Rhapsody

Minha Sensação Ao Assistir

Então, este é um ponto da crítica que iriei esquecer e ignorar qualquer aspecto técnico. Neste tópico irei falar como fã de Queen que foi na intenção de maravilhar-se com um grande espetáculo que fizesse jus à banda e ao cantor que pretendia retratar. E, como fã, devo dizer que o filme me tocou fortemente. Isto porque eu cheguei a me emocionar em diversos momentos. Tenha por lembrar de algum momento marcante do Queen apresentado em tela, seja por ver fatos que antes eu só tinha ouvido em entrevistas, mas não pude vê-los acontecendo. (Estou tentando ao máximo não falar de cenas especificas aqui, mas está sendo difícil).

Uma coisa muito importante que deve ser lembrada é que o filme não se preocupa em ser totalmente fiel aos acontecimentos. Então, muitos fatos estão adulterados, seja na forma como aconteceram ou no momento cronológico. Entretanto, se você for com a mente aberta para ver um espetáculo como homenagem e não algo fidedigno aos fatos, você com certeza se encantará tanto quanto eu. Então, está foi minha breve apresentação sobre o que senti vendo o filme. Foram muitas emoções, a maior parte delas envolvia encanto pelo que estava sendo apresentado. Isso sem falar que nos momentos de músicas, eu não me controlava e cantava junto. Em determinado momento cheguei até a quase que levantar da poltrona (haha).

O Roteiro

Chegamos a um aspecto muito criticado do filme, e com uma certa razão. Claro que eu amei o filme e ele está na lista dos melhores filmes que já vi. Entretanto, não posso negar alguns pontos cruciais em que o filme peca em seu roteiro. O principal deles é como a trama corre muito, especialmente no início. Então, o Freddie no início está trabalhando, na cena seguinte já está saindo para uma festa em que já conhece a banda Smile e a Mary Austin tudo de uma vez. Ou seja, em menos de meia hora de filme diversas coisas já acontecem. Mas tendo tanta coisa a ser tratada mais a frente, este erro inicial é justificável.

Além disso, outra crítica que pode ser feita ao roteiro é como ele faz parecer que tudo foi fácil para o Queen. Em diversos momentos, parece que tudo foi dado facilmente à banda. Além disso, o roteiro, não intencionalmente, dá a impressão de que os integrantes da banda já tem 100% de certeza do sucesso que farão logo de início. E isso pode ser um tanto quanto desonesto, apesar da segurança que Freddie e sua trupe sempre passaram. Mas não mostrar em nenhum momento que há uma dúvida do sucesso, é algo um tanto questionável.

No mais, com a exceção destes erros mais drásticos, o roteiro entrega um bom trabalho com cenas e diálogos profundos. Isso sem contar as maravilhosas frases de efeito ditas por Mercury em diversos momentos que são totalmente factíveis com sua personalidade. A relação do cantor com sua família e amantes é construída de forma um pouco rápida, mas cumpre bem o seu papel.

Então, numa visão geral, o roteiro tem problemas pontuais, mas unido aos outros aspectos, cumpre seu papel. Não é excelente, mas também não é péssimo.

Aspectos Técnicos

A direção do filme passou por grandes perturbações em durante a produção. Isso porque o diretor creditado, Bryan Singer, não finalizou o filme, pois foi demitido do projeto antes do fim das filmagens. A justificativa de sua saída foram divergências entre ele e os demais integrantes do projeto. Por vezes houveram até brigas feias entre Singer e Rami Malek, que protagoniza o filme. Após a saída de Bryan, Newton Thomas Sigel, o diretor de fotografia assumiu a cadeira de direção e finalizou o projeto.

Apesar dos problemas com a equipe de direção, não existe uma queda na qualidade do filme. Digo isto, pois em Liga da Justiça houve o mesmo problema com a direção, e a diferença entre as cenas de cada diretor participante são altamente visíveis. Enquanto em Bohemian Rhapsody, a diferença de diretores não pareceu ter muito impacto na qualidade do projeto. O filme traz takes muito bons de câmera, mostrando sempre os integrantes da banda em foco. A câmera ama Rami Malek como Freddie e favoriza demais o ator em seu personagem.

A fotografia do filme e as cores são ótimas. Assumem tonalidades mais voltadas para o sépia em momentos mais íntimos da relação de Freddie com outras pessoas. Isto é, com a família, com a banda e com seus parceiros. Nos momentos tristes a tonalidade azul e cinza predominam em tela, nos dando belas imagens. Destaco aqui uma determinada cena em que Freddie está na chuva, em um momento de muita tristeza, e a câmera alterna entre mostrá-lo de frente e de costas. Já em momentos de shows, as cores são vívidas, encantam e chamam muita atenção para o que é apresentado.

A Trilha Sonora

A qualidade da trilha sonora não poderia ser outra, não é? Impecável! Magnífica! É a única forma que posso caracteriza-la. Afinal de contas, é QUEEN! (haha) Algumas faixas foram remasterizadas (mais uma vez), enquanto outras tiveram alguns instrumentos regravados. Uma das que foi “regravada” foi Don’t Stop Me Now, tocada ao final do filme. As guitarras da música foram regravadas por Brian May e as pistas de som foram reorganizadas de modo a dar uma imersão muito maior na música. A lista de músicas passa por quase todos os albuns do Queen, apresentando, claro, principalmente seus maiores sucessos. E, para o povo brasileiro, fica algo maravilhoso: a versão de Love Of My Life apresentada no filme é a gravada aqui no Brasil, no Rock In Rio de 1985.

Atuações

E este é um ponto que é extremamente merecedor de aplausos e mais aplausos. O elenco deste filme parece ter sido escolhido a dedo. Cada ator parece muito com seu personagem, com foco principal nos quatro membros da banda! Ao assistir o filme é impossível não ver Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor em carne e osso na tela. Não pelo fato dos atores estarem os representando, mas pela extrema semelhança. Mas vamos falar um pouco de cada um dos destaques nas atuações.

O foco principal de Bohemian Rhapsody é no Freddie Mercury, então é claro que Rami Malek teria que brilhar. E não é que ele o faz? Com extrema maestria e total dedicação, o ator consegue apresentar de forma quase que totalmente fiel os trejeitos de movimentação e de fala do cantor. É inegável que o maior mérito do filme é a atuação entregue por Malek como Freddie.

Bohemian Rhapsody

Assim que ele fala pela primeira vez sente-se ter ouvido o próprio Freddie falando. Ao vê-lo andar e se movimentar pelo palco, vemos o Freddie Mercury. Além disso, sua interpretação dublando as músicas durante os shows é INACREDITÁVEL. É quase impossível perceber que ele está dublando. Não sei dizer se em set o Rami chegou a cantar mesmo, mas no filme, é difícil dizer que não é ele cantando. Indicação de Oscar para ele com certeza! Eu já teria dado o prêmio a ele (haha). Mas dependerá da academia.

Os outros atores tem papéis pontuais e interpretações ótimas, mas não possuem muita chance de apresentar, por não ter tanto destaque no filme. Entretanto, os outros 3 integrantes da banda entregam, sem dúvida, uma grande representação fiel aos trejeitos de cada integrante real. Destaco fortemente o ator Gwilym Lee que interpretou o guitarrista Brian May. Sua forma de andar no palco, de tocar guitarra, de conversar, é surpreendentemente parecida. E, para não me alongar muito deixo menções honrosas a Ben Hardy como o baterista Roger Taylor; Joseph Mazzello como o baixista John Deacon e Lucy Boynton como o “amor da vida do Freddie”, Mary Austin.

Visão Geral

Comentando o filme como um todo, digo sem medo que é um excelente filme, apesar de alguns defeitos. Não posso confirmar que terá indicação a Oscar de Melhor Filme, mas uma indicação a melhor ator para Rami Malek eu acredito ser obrigatória. Aos fãs, eu aviso que é necessário assisti-lo sem preocupar-se com ter todos os fatos contados corretamente e em uma cronologia correta. Afinal, se fosse para isso, veríamos um documentário. Esteja de mente aberta e pronto para ver um espetáculo como homenagem para este grande artista que foi Freddie Mercury e esta grande banda que é o Queen.

E se você ainda não assistiu ao filme, tá esperando o quê? Corre e assiste! Não se convenceu? Assiste o trailer aí!

Mas e você? Já assistiu Bohemian Rhapsody? É fã do Queen? Curtiu o filme? Comenta aí!
Lucas Gabriel

Estudante de Tecnologia da Informação, apaixonado por cinema, música e boas histórias de terror e drama! Adora discutir teorias malucas sobre séries ou filmes. Nerd assumido desde pequeno. Fã do Quentin Tarantino (inclusive acredita na teoria de que todos os filmes formam um só), Star Wars, Harry Potter, FRIENDS e filmes, como Laranja Mecânica, Donnie Darko e Nosferatu.