Ed Gein: A origem de Psicose

Você conhece Norman Bates? Se a resposta for negativa, já ouviu falar no filme “Psicose”, lançado em 1960? Provavelmente a resposta para essa última pergunta é sim, mas, caso não seja, não se preocupe, vamos deixar uma pequena sinopse logo abaixo! No longa-metragem dirigido por Alfred Hitchcock, Marion Crane é uma secretária que rouba 40 mil dólares da empresa onde trabalha e foge de carro, na tentativa de não ser pega. Durante uma forte tempestade em seu trajeto, ela acaba chegando até um velho hotel, administrado pelo gentil Norman Bates, uma afigura que ela não imaginava ser o que é.

O personagem chave desse clássico do terror, Norman, é inspirado em uma pessoa real. Ele não se enquadra na definição de “serial killer”, mas seus crimes não deixam de ser menos perturbadores. Edward Theodore Gein nasceu em 27 de agosto de 1906, em uma pequena cidade de Winsconsin, EUA. Sua mãe, Augusta Gein, era uma religiosa fanática e conservadora, que criou os dois filhos, em especial Ed, o mais novo, para seguirem fielmente a palavra de Cristo. Se você ficou curioso para saber um pouco mais dessa história, confira logo abaixo um breve resumo sobre tudo que sabemos sobre Ed Gein, o açougueiro louco.

Os crimes de Ed Gein

No dia 16 de novembro de 1957, o pequeno vilarejo rural de Plaintield, no Winconsin, foi marcado pela descoberta de um crime bárbaro. Ed Gein, um “fazendeiro” de 51 anos, passou a ser chamado de bicho-papão pelas manchetes dos jornais depois que foram encontradas várias manchas de sangue no chão do armazém de Bernice Worden, uma querida comerciante da região. Na verdade, a cena do crime só foi descoberta pois os clientes da doce senhora de 61 anos estranharam o fato de sua loja estar fechada naquele sábado, visto que era o dia de maior movimento, e foi por isso que Frank, filho de Worden, exigiu que o xerife desse ordem para que a entrada no imóvel fosse forçada.

Lá dentro, algumas coisas foram encontradas, entre elas a caderneta de anotações de Bernice, onde podia-se ler “Dois litros de anticoagulante” em sua a última linha escrita. Com essa informação em mãos, Frank não demorou para ligar os pontos. Ele comentará com os policiais que Gein havia passado na loja de sua mãe naquela semana, perguntado se Frank iria estar caçando no fim de semana e, com a resposta positiva do rapaz, ele falou que talvez voltasse para comprar anticoagulante. Isso foi o suficiente para que o xerife e alguns oficiais invadissem a residência de Gein noite a dentro.

Ed já era considerado um homem louco por parte da população, ele costumava falar sobre criminosos, assassinos, de forma debochada. Além disso, adorava conversar sobre Christine Jorgensen, uma das primeiras mulheres a fazer cirurgia de mudança de sexo e anatomia em geral. Mas nenhum dos moradores do lugar imaginava que o senhor sorridente que conheciam guardava segredos tão obscuros em sua fazenda mal-cuidada. Com lampiões e lanternas, os responsáveis pelo caso vasculharam a residência do simpático entregador. O local estava um caos, com revistas baratas, ninhos de ratos, jornais e todo tipo variado de entulho espalhado pela sala, incluindo material para embalsamento. Sem conseguir muita coisa no térreo, os oficiais se dirigiram para o primeiro andar, onde encontraram cinco quartos abandonados e dois fechados com pregos, o da falecida mãe de Gein e uma sala de estar.

O “Matadouro Humano”

Quando os oficiais chegaram a cozinha, nada poderia prepara-los para o que encontrariam: duas tíbias, cordão de lábios, narizes sobre a mesa, uma caixa com nove vaginas (uma delas pintada de prata, que acreditá-se ser de sua mãe), olhos e rostos guardados em sacolas, um tambor feito de pele humana, inúmeros móveis cobertos pelo mesmo matéria, crânios enfileirados ou sendo feitos de tigelas de sopa e máscaras penduradas na parede (também feitas de pele humana). Além disso, também existia uma guarda-roupa inteiro costurado com a pele das vítimas de Ed. Foram encontrados: calças, colete, bolsa, braceletes, sutiã (feito de seios reais), cinto de mamilos, entre outras coisas macabras.

No cômodo ao lado, que também se tratava de uma cozinha, foram encontrados os restos mortais de Bernice. Seu corpo estava decapitado, de ponta cabeça e completamente dissecado. Na panela: um coração humano. Na geladeira: vários órgãos bem embalados. Quando finalmente foi localizado e questionado sobre o que aconteceu, a alegação de Gein foi “Eu não tive nada a ver com isso. Só soube da história quando estava jantando”. Claro, a polícia não acreditou nisso e o apreendeu.

Seu alvo principal eram mulheres, geralmente parecidas com sua mãe, Augusta Gein, que o criou sobre um conservadorismo extremo, dizendo-lhe que sexo era um pecado e as mulheres instrumentos do diabo para tenta-lo. Ela era a pessoa mais próxima a ele e isso ficou ainda mais forte depois que seu pai e irmão mais velho morreram e, por isso, depois que Augusta veio a falecer, ele ficou completamente perdido, sem saber como deveria conviver em sociedade, por isso acabou se tornando um homem recluso, que trabalhava fazendo um serviço aqui e ali quando solicitado.

Não é sabido a época exata em que ele teria desenvolvido interesse na anatomia feminina, nem em quem foi sua primeira vítima, mas, o que se sabe, é que a primeira morte registrada em seu nome é de Mary Hogan, uma mulher de 51 anos, divorciada, que desapareceu em dezembro de 54. Além disso, ele costumava exumar cadáveres, dos quais tinha conhecimento por conta das várias notas de obituários que ele possuía. Foi por isso que apenas 2 mortes foram atribuídas a ele, a de Mary e a de Bernice, os outros cadáveres pareciam ser frutos de roubo.

Ao todo, os restos mortais de 15 pessoas foram descobertos na casa. Ele foi preso, mas seu julgamento foi adiado por dez anos, uma vez que foi considerado esquizofrênico. Ed costumava dizer que gostava de “desmontar as coisas” para “ver como funcionavam”. Além do mais, algumas pessoas dizem que ele acreditava conseguir ressuscitar os mortos, como o próprio messias de quem tanto ouviu falar na infância. Ele morreu no hospício, no dia 26 de julho de 1984, e todos os funcionários costumavam descreve-lo como “carinhoso e inofensivo”.

A história de Edward inspirou muitas obras na ficção, entre elas a mais conhecida é Psicose, filme do qual já falamos anteriormente e que foi para os cinemas apenas 3 anos depois dos eventos que levaram a prisão de Gein. Além dela, também existe uma série chamada Bates Motel, inspirada justamente nesse clássico longa e que se encerrou em sua quinta temporada, lançada no ano passado (2017).

Já assistiu Psicose? Conhecia a história de Ed Gein? Deixe um comentário logo abaixo!

Júlia Campos

Oficialmente, estudante de design e técnica de informática. Nas horas vagas, ilustradora, modelo e escritora. Sou apaixonada por jogos, gamedesign e cultura oriental no geral, as vezes até pareço ser uma Geek assumida. Fã da autora Maggie Stiefvater e amante de séries de suspense, mistério e terror (as vezes arriscando um romancezinho).