Nasce Uma Estrela – Um Romance Musicado!

Nasce Uma Estrela

Nasce Uma Estrela (A Star Is Born) é um romance dirigido por Bradley Cooper e protagonizado por ele e Lady Gaga. Mas, sendo bem sincero, neste filme não é a Lady Gaga e sim a Stefani Joanne. Deixarei isso mais claro um pouco a frente. O filme já vinha fazendo uma movimentação enorme nas redes sociais, afinal… é a Lady Gaga! Só o trailer do filme já chamava muita atenção, com as músicas e flashes das atuações de Bradley e Joanne. (Sim, passarei a chamar a Gaga de Joanne nesta crítica). Eu assisti a este filme e trago agora minha opinião sobre os aspectos dele. É bom deixar claro que esta é uma opinião pessoal, caso você discorde a aba de comentários está totalmente aberta para discutirmos! (haha)

Sobre O Filme

Primeiramente vamos dar uma ambientação para o filme. A história tratada no longa já foi contada, anteriormente, nos cinemas por três vezes, sendo esta a quarta. Tanto é que se você busca só o nome do filme, as informações acabam conflitantes no Google. Mas o que importa aqui é que Bradley Cooper conta a história de uma forma muito diferente. Isso porque ele resolveu trazer uma forte crítica à indústria musical, mais especificamente ao cenário pop. Não só isso, como também as causas que levam o casal ao conflito foram muito mais fortes.

No filme, Jackson Maine (Cooper) é um astro do rock, cantando músicas que permeiam tanto o rock quanto o blues e o country. Já do outro lado temos a jovem Ally (Joanne) que trabalha em um restaurante, mas que à noite faz shows em um bar drag de sua cidade. Ally é conhecida no bar por ter sido, anteriormente, garçonete e, depois, por demonstrar sua maravilhosa voz em performances impressionantes. Certo dia, Jackson estava fazendo um show na cidade de Ally e, em busca de um lugar para tomar uns goles, acaba entrando no bar drag que ela está para se apresentar. E, ao ouvir a moça cantando, o astro encanta-se pela voz. Ao conhecê-la, apaixona-se pela garota. E, eventualmente lança-a ao estrelato (daí o nome: Nasce Uma Estrela).

O Roteiro

O roteiro do filme foi escrito também por Bradley Cooper em parceria com Eric Roth e Will Fetters. O texto constrói muito bem os personagens logo de início. Não precisamos assistir uma introdução muito densa sobre os dois, como de onde vieram e quem são. Todos os aspectos técnicos e narrativos unem-se para que possamos entender a essência de cada personagem. A história anterior de cada um nos é apresentada durante o filme. Desta forma, assim como eles passam a se conhecer, nós também os conhecemos.

As situações que acontecem não parecem forçadas, mas sim, ocorrem de maneira natural. Contudo, em certos momentos do filme é possível perceber uma leve mudança de valores nos personagens. Isso acontece quando o roteiro passa a, mesmo que sem querer, fazer com que os personagens passem a fazer coisas que, pelo que nos foi apresentado, eles não seriam capazes de fazer. A Ally, personagem de Joanne, sofre mais com isso do que Jackson. Essa inconsistência ainda é camuflada nas mudanças que ocorrem na personagem, mas para os espectadores mais atentos podem ficar um pouco incomodados.

Os aspectos narrativos do roteiro nos entregam um início de filme muito romântico, de certa forma até leve. Não esperamos a mudança de rumo que a história acaba seguindo. Isso faz com que do segundo para o terceiro ato do filme, a atmosfera fique mais tensa, dramática e até melancólica. O que antes era mais amor e alegria, recebe um ar de tristeza.

Aspectos Técnicos

Antes de falar sobre a direção de Bradley Cooper em Nasce Uma Estrela, é importante dizer algo. Esta é a primeira produção dele como diretor de um filme. Mas, já adianto que, como diretor, foi uma belíssima estreia. Bradley soube comandar os mínimos detalhes da fotografia, da mixagem de som e das atuações. É incrível como tudo dialoga extraordinariamente bem.

Fotografia

A fotografia nos dá uma aula de cinema. Isso porque ela mesma é um aspecto muito importante, no filme, para a construção dos personagens. De início, quando Jackson é o personagem mais forte, a câmera sempre foca nele, centralizado, de perto, firme. Enquanto isso, a Ally sempre é vista em planos mais abertos, centralizada ou não. Mas à medida que o filme acontece, a câmera “perde o interesse” por Jackson e quanto mais sabemos de seu alcoolismo, mais ela passa a perder a firmeza ao filmá-lo. Já com a Ally, a câmera “encanta-se” pela personagem, começando a mostrar ela muito mais de perto. Em momentos simples, como quando o nariz dela é citado, a câmera mostra a silhueta da personagem de perfil, para que possamos ver melhor do que se trata.

Mixagem de Som

Já a mixagem de som é sem dúvida merecedora de indicação de Oscar, se não for já de ganhá-lo. É incrível como é bem trabalhada. Logo no começo do filme, no show de Jackson, o som estronda nossos ouvidos, como se realmente estivéssemos no palco com ele e isto também auxilia na construção do problema auditivo do personagem. Já nos momentos fora dos palcos, onde a sutileza passa a reinar, os diálogos mais contidos, o som é mais baixo e sereno, por assim dizer.

E para falar da trilha sonora, ela é incrível do início ao fim. O dueto feito por Jackson e Ally na música Shallow é encantador. Isso sem contar a música final do filme que é quase impossível não chorar. Prepare-se para ouvir repetidamente a OST do filme, isso se já não estiver ouvindo.

Figurino

O figurino também merece ser citado. O figurino de Jackson é sempre algo mais fechado, com jaquetas, camisas longas ou coisas do tipo. Isso demonstra muito da personalidade do personagem. Assim como da Ally, e para ela, é importante dizer que faz muito mais diferença do que para ele. Pois, como a moça passa por mudanças, seu figurino muda. Se no início ela é uma garota simples, usa roupas mais sutis, e à medida que a fama sobe, Ally vai se tornando mais extravagante em suas vestimentas.

As Atuações

Joanne

Chegamos no momento esperado. Falar da atuação entregue por Joanne. E é aqui que eu explico porque a chamo de Joanne nesta crítica e não de Lady Gaga. Basicamente, ela conseguiu desprender-se por completo da personagem criada por ela mesma. Isso porque Gaga não é a Joanne, acredito, inclusive, que a Joanne seja mais a personagem de Nasce Uma Estrela, do que a Gaga. Uma garota simples, compositora genial de talento vocal e performático incomparável. Esta é a Joanne e também é a descrição de Ally. É claro que, como uma atriz não tão experiente assim, existe alguns trejeitos que ela faz que seriam totalmente dispensáveis. Como demonstrar timidez com a mão no rosto, raiva cerrando os dentes entre outros. E digo dispensáveis, pois sem eles a atuação dela já seria incrível. Mas ela merece ganhar o Oscar? Talvez sim, talvez não. Depende muito de suas concorrentes, mas a indicação é quase certa.

Cooper

Se Joanne entrega parte de sua personalidade para Ally, Bradley cria Jackson Maine. O ator assume uma forma de atuação muito mais técnica do que sentimental. Ele passa a viver o Jackson, mudando seu sotaque, tornando sua voz rouca, mostrando-se desinibido em palco, mas introspectivo na vida pessoal. Isto sem contar no show de atuação que ele entrega nos momentos de embriaguez de seu personagem. Cooper, como diretor e roteirista, cria momentos para ressaltar sua atuação de modo a ser, sem dúvida, um fortíssimo concorrente ao Oscar. Mais até mesmo do que a Lady Gaga para a categoria dela. A atuação de Bradley é muito técnica e calculada. Convence perfeitamente bem de que ele É Jackson Maine.

Sam Elliot

Ao lado de Jackson (Cooper), existe um personagem coadjuvante muito forte que merece ser mencionado também. O irmão mais velho do cantor, Bobby Maine, é interpretado pelo ator veterano Sam Elliot. O conflito trazido por seu personagem para com o de Bradley é sensacional. Sua atuação é esplendorosa, entrega para o público um personagem forte mas que comove-se com os fatos pesados que acontecem com os personagens protagonistas. Sem dúvidas ele merece uma indicação ao Oscar como coadjuvante.

Finalizando…

Por fim, pode-se dizer que Nasce Uma Estrela é, sem dúvidas, o fenômeno do ano, até o momento. Pode ser sim indicado ao Oscar de melhor filme, mas se ganhará depende muito de seus concorrentes. É um filme maravilhoso, posso dizer que é o meu favorito do ano, até hoje. Uma estreia perfeita de Cooper na direção e um show de atuação dele e de Joanne.

Nasce Uma Estrela ainda está nos cinemas e, se eu fosse você, correria para assistir, porque ele merece ser visto nas telonas!

Mas você já assistiu Nasce Uma Estrela? O que achou do filme? Acha que merece indicações ao Oscar? Comente!
Lucas Gabriel

Estudante de Tecnologia da Informação, apaixonado por cinema, música e boas histórias de terror e drama! Adora discutir teorias malucas sobre séries ou filmes. Nerd assumido desde pequeno. Fã do Quentin Tarantino (inclusive acredita na teoria de que todos os filmes formam um só), Star Wars, Harry Potter, FRIENDS e filmes, como Laranja Mecânica, Donnie Darko e Nosferatu.