A Família Perron: Origem de Invocação do Mal

Talvez você saiba que o filme Invocação do Mal foi “baseado em fatos reais” e talvez até saiba que os casos mostrados no filme foram inspirados nos acontecimentos da família Perron em sua fazenda em Harrisville. No entanto, você já parou para pesquisar e ler sobre o que realmente aconteceu naquele lugar? Estamos no mês do Halloween, outubro, e, tendo isso em mente, o Minha Série Favorita decidiu trazer para vocês algumas informações voltadas para o mundo do terror. Hoje falaremos um pouco mais sobre o que começou no fatídico inverno de 1970, em Rohde Island. É importante lembrar que, em nenhum momento, estamos afirmando a veracidade desses fatos. O que será escrito a seguir é a história narrada pela família e pelo casal de detetives paranormais Ed e Lorraine Warren. Cabe a você decidir se isso é real ou não. Faça bom proveito!

A História Real da Família Perron

Roger, Carolyn e suas cinco filhas, eram apenas mais uma família comum que vivia nos Estados Unidos. No inverno de 1970, o casal decidiu que seria interessante levar as meninas para uma vida menos agitada, no interior, e foi nesse momento que eles compraram a Velha Fazenda Arnold, que tinha quase 81 mil metros quadrados e estava lotada de vegetação, incluindo plantações iniciadas no século 17, feitas pelos colonos da região. A propriedade era gigantesca e tinha espaço de sobra para todas as crianças correrem e brincarem sem preocupação.

A casa principal contava com 10 cômodos e fora construída em 1736. Descrita como “adorável e charmosa” por seus habitantes, era mais que o necessário para uma vida tranquila. As meninas se chamavam Nancy, Christine, Cindy, April e Andrea, sendo que a última era a única que tinha um quarto próprio, as outras faziam duplas para dormirem juntas. No entanto, foi relatado que Andrea sempre teve medo de dormir só na casa, ela costumava ir chorando e tremendo até as suas irmãs todas as noites, o que não é estranho se pensarmos que estamos falando de crianças.

O vendedor da residência já havia alertado “Durmam com as luzes acesas a noite”, mas os problemas reais só tiveram início quando a família começou a ver figuras estranhas caminhando na região. Essas imagens foram descritas como “opacas e com uma aparência pouco sólida”, no entanto, até o momento, seja lá o que isso fosse, parecia pacifico. Os Perron não demoraram para descobrir que oito gerações haviam vivido e morrido naquele lugar. Infelizmente, muitos deles foram descritos como suicídios, incluindo a da velha senhora John Arnold, que, aos 93 anos, se enforcou nas vigas do celeiro. Um outro caso que chamou a atenção de todos foi a de Prudence Arnold, uma garotinha de 11 anos que foi estuprada e assassinada no local. As suspeitas para esse crime caíram sobre um peão da fazenda, mas nada nunca foi provado, logo o caso permanece sem solução. Como se isso não fosse o bastante, também houveram dois afogamentos no riacho da propriedade e quatro homens apareceram congelados no terreno.

Depois de certo tempo com eventos inexplicáveis acontecendo na fazenda, a família decidiu pedir ajuda a Ed e Lorraine, que ficaram conhecidos mundialmente como o maior casal de investigadores paranormais que já existiu. Ambos chegaram ao acordo de que a maior parte dos espíritos ou entidades, como os detetives chamavam, eram inofensivo. Lorraine, a principal médium da equipe, disse que haviam muitos fantasmas na casa, entre eles um fantasma que cheirava a flores e um outro que tinha o costume de dar um beijo de boa noite nas meninas, enquanto elas estavam em sua cama. Também existia uma presença que parecia ser a de um jovem garotinho, que as crianças costumavam ver empurrando os brinquedos pelo quarto. Uma outra entidade que costumava limpar o chão da cozinha também estava presente. Segundo os Perrons, eles sempre ouviam o barulho de alguém varrendo e, quando iam ver, encontravam a vassoura em uma região diferente do que haviam deixado e um monte de terra no chão, pronto para ser despejado.  Já Manny era como se chamava o espirito favorito das crianças. Acreditou-se que ele se trataria de Johnny Arnold, um rapaz que cometeu suicídio enforcando-se no sótão da casa no início do século 18.

Além de todas essas supostas aparições amigáveis, haviam também alguns eventos inexplicáveis. Segundo a família, vários objetos levitavam, eram arrastados ou caíam sem que nada pudesse ter provocado aquilo. Os Perrons também dizem que viram um “sangue alaranjado” escorrer de uma das paredes, material esse que se dissolvia tão repentinamente quanto aparecia. O cabelo das meninas eram puxados enquanto elas dormiam, portas batiam com tanta força que tremiam toda a residência e algumas não fechavam de jeito nenhum, não importava o quanto de força fosse exercida sobre elas.

A família relata que, algumas vezes, um garotinho era visto caminhando pelos cômodos, chorando e chamando pela sua mãe. “Mamãe! Mamãããe!” era o que eles ouviam várias vezes e isso não os deixava dormir. Mas a pequena Cindy, que na época tinha 8 anos, era uma das que mais sofria com tudo isso. Ela dizia que, algumas vezes, alguém repetia constantemente para ela “Há sete soldados mortos enterrados na parede”. Ainda há a presença de uma entidade que foi tão maléfica com todos, que os Perrons preferem não falar sobre o que ele teria feito, mas sabe-se que tem algo a ver com as crianças.

Mas o maior pesadelo dos Perron foi o fantasma de uma suposta bruxa chamada Bathsheba Sherman, que viveu na propriedade no século 19.  Ela teria sido enforcada (ou se enforcado) numa arvore atrás do celeiro e seu espirito continuaria vagando pela região desde então. Não apenas isso, ela teria tido como alvo principal a mãe da família, Carolyn Perron. A história de Bathsheba é deveras interessante. Segundo o que dizem, seu nome de batismo era Bathsheba Thayer, nascida em 1812, e ela teria sido expulsa junto com seu marido da comunidade em que viviam após seu bebê ter sido encontrado morto com um objeto pontiagudo enfiado em sua cabeça. Bathsheba foi denunciada como bruxa, mas não foi morta, apenas obrigada a viver isoladamente desde então. Algumas pessoas falam que ela teria tido mais três filhos, mas todos teriam morrido antes de completarem 4 anos de vida. Marcada como uma mulher cruel, Sherman morreu em 25 de maio de 1885. Quando um médico legista foi examinar seu corpo, escreveu que nunca havia visto nada como aquilo. O corpo da suposta bruxa havia se solidificado tanto e tão rápido que “era como pedra”.

Mas, por que ela torturava Carolyn? Essa resposta é relativamente simples. Bathsheba teria interesse no Sr. Perron. Sempre que o patriarca da família estava em casa, objetos quebravam repentinamente, forçando Roger a ir até o porão conserta-los. Lá ele relatava sentir a presença da “bruxa”, que o tocava e acariciava. Ele queria o Sr. Perron, mas queria Carolyn fora de casa. Um artigo de jornal publicado em agosto de 1977 disse: “A Sra. Perron disse que acordou uma manhã antes do amanhecer e encontrou uma aparição ao lado de sua cama: a cabeça de uma velha pendurada de um lado sobre um velho vestido cinza. Havia uma voz reverberando: ‘Saia. Saia. Eu vou levá-la para fora com morte e tristeza.´”

A aparência dessa entidade era, no mínimo, aterradora. Dizem que Bathsheba teria um rosto “semelhante a uma colmeia de abelhas desidratada”, cheio de teias de aranhas e vermes que entravam e saiam de seus orifícios faciais. Ela andava com o rosto inclinado de lado, como se ele estivesse quebrado, o que seria facilmente explicado pelo fato de sua trágica morte ter sido como foi. Foi esse fantasma em específico que fez com que o casal Warren entrasse no caso. Eles foram contatados depois que Roger começou a achar que Carolyn estava possuída pelo espirito da bruxa, obviamente, Ed e Lorraine se interessara imediatamente pelo caso. Ed não discordou em nenhum momento da possessão, tanto que uma sessão de exorcismo foi realizada no local. Andrea Perron, que está vida até os dias de hoje, relata: “A noite em que pensei que veria minha mãe morrer foi a noite mais terrível de todas. Ela falou com uma voz que nunca tínhamos ouvido antes e uma força que não é deste mundo a jogou a 6 metros de distância em outra sala “.

É nesse momento que a história do filme e a realidade se distanciam bastante. Diferente do que é mostrado no longa, os Warren não tiveram sucesso em libertar a casa e a família dos acontecimentos sobrenaturais. A dica dos investigadores paranormais foi simples “saíam”, eles não podiam fazer mais nada pela família. Todos os 7 membros continuaram no local por longos e fatídicos 10 anos, por causa de suas condições financeiras. Eles simplesmente não tinham dinheiro para desocupar a casa e fugir. Mas, felizmente, esse momento finalmente chegou em 1980, quando eles se mudaram para a Georgia.

Logo que a história veio a público, todos começaram a se perguntar: Mas e os outros moradores, que viviam na fazenda anteriormente? Bom, foi relatado pela família que o único que teve o mínimo de sossego foi um padre que esteve no local antes dos Perron. Segundo os Warren, isso aconteceu pois a fé dele era forte o bastante para bloquear as energias ruins, algo que não havia na família. Os Perron, na época, não tinham uma religião, o que teria deixado-os mais abertos para esses acontecimentos sobrenaturais (isso é o que Lorraine fala).

Andrea Perron foi irmã que mais se dedicou a desvendar e mostrar sua história de vida. Ela publicou três livros detalhando o que aconteceu na Velha Fazenda: “House of Darkness House of Light”. Ela também ficou conhecida por suas palestras e por sempre recontar o que viveu durante sua adolescência. Andrea atualmente está com 59 anos.

O primeiro filme da franquia invocação do mal estreou em 12 de julho de 2013 e, atualmente, conta com uma sequencia e duas histórias spin-offs: Annabelle e A Freira. Esse último, está nos cinemas de todo o Brasil atualmente.

Júlia Campos

Oficialmente, estudante de design e técnica de informática. Nas horas vagas, ilustradora, modelo e escritora. Sou apaixonada por jogos, gamedesign e cultura oriental no geral, as vezes até pareço ser uma Geek assumida. Fã da autora Maggie Stiefvater e amante de séries de suspense, mistério e terror (as vezes arriscando um romancezinho).