O Bebê de Rosemary: A maldição de Hollywood

Lançado em 12 de junho de 1968, o filme “O Bebê de Rosemary” se tornou um clássico dos filmes de terror e suspense. Uma gigantesca quantidade de pessoas se fascinou pela adaptação roteirizada e dirigida pelo cineasta Roman Polanski que se preocupou bastante em se manter fiel ao livro da autora Ira Levin. É verdade que a obra foi um sucesso, tanto de bilheteria quanto de crítica, e continua sendo apreciada e comentada até os dias de hoje, mas nem tudo são flores no universo do cinema.

As vezes a realidade acaba sendo tão cruel (ou até mais) quanto a ficção. O Bebê de Rosemary foi vítima de algo que ficou popularmente conhecido como “A Maldição de Hollywood”. Esse título engloba boa parte das produções que sofreram uma estranha e trágica sequencia de acontecimentos, coincidências assustadoras demais para serem apenas coincidências e é sobre isso que vamos conversar abaixo.

Só o lançamento do filme já causou uma histeria coletiva no público. Espectadores descreviam, com detalhes e horrorizados, como seria a aparência do bebê (filho do demônio). O detalhe é que a imagem de tal criatura nunca foi exibida, o que tornava tudo ainda mais sinistro, porém a famosa “maldição” só parece ter começado algum tempo depois. William Castle, produtor do filme, passou a receber inúmeras ameças de morte por causa de sua produção. Em abril de 1969, o cineasta foi internado as pressas vítima de uma falência renal, o que não seria estranho desde que ele não tivesse começado a gritar “Rosemary, pelo amor de Deus, solte está faca!” em uma situação de delírio. Bom, ao menos é isso que testemunhas afirmam.

Castle se safou dessa vez, mas as coincidências não pararam por ai. No mesmo hospital em que o produtor foi internado, também estava o compositor da trilha sonora do filme, Krzysztof Komeda, que, infelizmente, não teve a mesma sorte do seu colega de trabalho. Komeda morreu da mesma forma que Hutch, o amigo de Rosemary, morre no filme – por um coágulo no cérebro. Castle só veio a falecer 8 anos depois, em 1977, vítima de um ataque cardíaco.

E, bem, podemos dizer que esses dois casos específicos foram só uma brincadeira do destino. “Que maldição é essa?” você deve está pensando. Bom, a coisa só começa a ficar realmente série com a morte de Sharon Tate, esposa do diretor do longa, Roman Polanski. Sharon foi morta a facadas por uma pequena seita reclusa de fanáticos que viviam na Califórnia, vítima do famoso assassino Charles Manson.

E sabem o que mais? “Uma típica seita pequena e reclusa da Califórnia” foi a forma como um crítico da época descreveu os vizinhos de Rosemary. Para a tristeza de todos, Sharon morreu com apenas 26 anos e pouco mais de um ano depois do lançamento do filme. Assim como a protagonista, ela também estava grávida de seu primeiro filho (aos 8 meses de gestação), com isso, foram um total de seis pessoas mortas na casa de Polanski. Com o sangue das vítimas, os criminosos escreveram “porco” na entrada de sua residência.

A morte de Sharon ganhou uma enorme repercussão já que a jovem atriz em acessão se foi de uma forma tão brutal, e, inclusive, foi cotada para interpretar o papel de Rosemary nas telonas. O crime ficou conhecido como “Helter Skelter”, nome de uma música dos Beatles. E por falar neles, você se lembra de como ocorreu a morte de John Lennon? Ele foi assassinado na frente do Edifício Dakota, onde vivia, 11 anos depois. Esse foi o mesmo prédio onde o filme O Bebê de Rosemary foi gravado.

Diretor e compositor internados no mesmo dia e no mesmo hospital, tendo o segundo, um grande amigo da família de Polinski, morrido da mesma forma que o amigo de Rosemary morreu no longa. A jovem Sharon, primeira atriz cotada para dar vida a protagonista da obra, faleceu em um estado semelhante ao vivido personagem da ficção e, como se não fosse bastante, um dos integrantes dos Beatles morre 11 anos depois na frente do hotel onde a história se passa, sendo que sua música foi usada para homenagear a amável interprete… Coincidências… sem dúvida, macabras coincidências…

Júlia Campos

Oficialmente, estudante de design e técnica de informática. Nas horas vagas, ilustradora, modelo e escritora. Sou apaixonada por jogos, gamedesign e cultura oriental no geral, as vezes até pareço ser uma Geek assumida. Fã da autora Maggie Stiefvater e amante de séries de suspense, mistério e terror (as vezes arriscando um romancezinho).