A Viagem de Chihiro: As Melhores Curiosidades

Lançado em 18 de julho de 2003, Spirited Away (ou, A Viagem de Chihiro, no Brasil) conta a história de uma jovem menina que fica presa em uma estranha dimensão. Enquanto seus pais foram transformados em porcos, Chihiro é forçada a trabalhar em uma casa de banho sob os comandos de Yubaba a qual rouba seu nome e a apelida de “Sen”.

Essa maravilhosa obra foi produzida por ninguém mais ninguém menos que Hayao Miyazaki, responsável pelo Studio Ghibli, e ganhou o Oscar de Melhor Animação no ano de 2003. Na verdade, até pouco tempo atrás, Spirited Away era o filme com a maior bilheteria a nível mundial. Mas, recentemente, a obra foi ultrapassada pela animação, também japonesa, Kimi no Namae wa, de Makoto Shinkai. O que, de forma alguma, tira o brilho de A Viagem de Chihiro. Com isso, preparamos uma lista com as melhores curiosidades da produção do longa animado!

As Melhores Curiosidades Sobre A Viagem de Chihiro

  • Quando a produção do longa se iniciou, o seu roteiro ainda não estava pronto. É de se estranhar, não? Mas aconteceu a mesma coisa com várias outras obras de Miyazaki. Segundo o artista, ele não gosta de pensar todo o enredo antes de começar a produzir. Para ele, a inspiração vem durante o trabalho. “Nós nunca sabemos até onde a história vai, nós apenas continuamos trabalhando até que o filme se desenvolva sozinho” comentou durante uma entrevista.
  • Segundo o diretor, a sua vontade era que o filme tivesse três horas. Esse era o tempo que ele estimou para contar toda a sua complexa história, mas cortes tiveram que ser feitos e, no final, o filme possui uma hora a menos do esperado. Duas horas e cinco minutos.

  • Os membros do estúdio de animação foram instruídos em diferentes locais e de diferentes formas. Tudo isso para que o filme fosse o mais real possível. Por exemplo, na cena em que Chihiro força Haku em sua forma de dragão a comer a erva que salvaria sua vida, a anatomia do personagem foi inspirada em um cachorro que os animadores estudaram em uma clínica veterinária. Isso acabou dando ainda mais riqueza de detalhes ao longa que se tornou extremamente aplaudido pela crítica mundial.
  • Os nomes também não ficaram de fora. Quem acompanha as animações japonesas a certo tempo deve ter percebido que, várias vezes, o nome dos personagens vem cheios de significados. Com Chihiro não foi diferente, seus nomes foram escolhidos de forma que combinassem com o papel de cada personagem. Confira abaixo alguns exemplos:

Yubaba (湯婆婆) = bruxa do balneário

Zeniba (銭婆) = bruxa da riqueza

Boh (坊) = bebê

Kamajii (釜爺) = “Geezer da caldeira”

  • E por falar em nomes… Quem não se lembra da cena em que Yubaba rouba o nome de Chihiro, apelidando-a de Sen? Isso tem um pé na cultura japonesa antiga. No Japão antigo, existia a crença de que quem tivesse o nome verdadeiro da pessoa, poderia controlar a vida dela. Por esse motivo, quando os bebês nasciam, eram escolhidos dois nomes. Um deles seria o nome real, o qual ninguém além do padrinho ou madrinha de nome deveria conhecer, e o segundo seria um nome “falso”. Quando o jovem fazia uma certa idade, era realizada uma cerimônia com os pais, a criança e o responsável pelo nome para que, assim, ele fosse finalmente revelado. Mesmo depois de tudo isso, o verdadeiro nome era guardado as sete chaves e, muitas vezes, em pergaminhos enterrados embaixo da casa! Quando Yubaba pega o nome de Chihiro, ela está enfeitiçando a menina.

  • Assim como aconteceu com Lewis Caroll, criador de Alice no País das Maravilhas, Miyazaki também teve a ideia para a sua protagonista depois que conheceu a filha de um de seus amigos. Esse evento ocorreu em uma pequena cabana nas montanhas onde ele, seus amigos e familiares foram acampar. Sim, é isso mesmo, a Chihiro tecnicamente existe, embora não como no filme.
  • Outra curiosidade sobre a criação da personagem é que seu criador a pensou para ir contra todos os esteriótipos de personagens femininas no Japão. Certa vez, em entrevista, Miyazaki disse que ficou extremamente decepcionado quando percebeu que todas as protagonistas femininas de mangás shoujos tinham suas personalidades baseadas em relacionamentos amorosos. Isso chateou tanto o produtor que ele quis criar uma protagonista que fosse uma heroína e não focasse sua vida em um rapaz. “Eu senti que aquilo não era algo que as garotas amassem ou que quisessem, então me perguntei se poderia criar algo que fosse mais próximo de heroína… se eu pudesse criar um sucesso que não fosse uma mentira, pois até então criei pessoas que gostaria que existissem. Agora quero criar algo que possa ser simples e sem exageros, desta vez, porém quero algo que elas possam dizer: sim, é dessa maneira… Quero contar uma história neste filme que não apenas os personagens, mas que também aqueles que assistam possam vivenciá-la”

  • Em 2003, A Viagem de Chihiro ganhou o Oscar como Melhor Filme de Animação, porem seu criador se recusou a aceitar o prêmio. Segundo Miyazaki, ele não queria ser reconhecido por um país que bombardeia outros por questões politicas. Vale lembrar que os Estados Unidos lançou duas bombas atômicas contra o Japão no final da Segunda Guerra Mundial e nunca pareceu ter se arrependido por ter matado milhões de inocentes. Mas não estou afirmando que o diretor culpa os EUA e guarda rancor, isso apenas ele pode dizer, mas, o que é certeza é que vários filmes do estúdio possuem, claramente, uma linha ideológica pacifista. “Na época meu assessor pediu que eu apenas não comentasse sobre o assunto, mas hoje em dia não vejo porque não contar sobre minhas motivações, além do fato que até ele concordava com meus sentimentos a respeito”, comentou em entrevista. É bom também citar que Miyazaki parece ter mudado sua linha de pensamento recentemente, uma vez que em 2014 ele recebeu um prêmio honorário do Oscar durante o evento. Esse prêmio é entregue a pessoas que deixaram uma grande marca no cinema sem se prender a categorias. São apenas para pessoas que realmente dedicaram uma vida inteira à produção cinematográfica.

Você foi uma das pessoas que se apaixonou pela viagem de Chihiro? Conte-nos o que achou de saber um pouco mais sobre a produção e a pós produção do longa!

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Júlia Campos

Oficialmente, estudante de design e técnica de informática. Nas horas vagas, ilustradora, modelo e escritora. Sou apaixonada por jogos, gamedesign e cultura oriental no geral, as vezes até pareço ser uma Geek assumida. Fã da autora Maggie Stiefvater e amante de séries de suspense, mistério e terror (as vezes arriscando um romancezinho).