“Tully”: O lado da maternidade que se contrapõe ao brilho da gravidez

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O cineasta Jason Reitman (Montreal, Canadá, 1977) sempre se interessou em explorar através de seus filmes o rosto mais oculto de seus personagens e, em extensão, o mundo em que vivemos. Suas histórias se concentram naquelas misérias íntimas que todos nós preferimos mascarar sob o manto das aparências. E, por essa razão, suas obras tornam-se representantes de muitos dos medos indescritíveis que atingem no seio da sociedade contemporânea. Solidão, frustração, incompreensão ou falta de comunicação, tudo em um coquetel desconfortável que nem todos estão dispostos a falar e muito menos a enfrentar.

No filme, Marlo (Charlize Theron) tenta fingir que é uma mãe incansável, e que tudo está sob controle, mas… não é bem assim. “No começo, a ideia era que o filme girasse apenas em torno da maternidade”, diz Jason Reitman. “Mas, conforme avançávamos, percebemos que se tratava realmente da perda de identidade. Como você se torna um estranho para si mesmo, quando olha para trás e pensa na sua juventude, às vezes parece que pertence a outra pessoa, é como se não fosse você quem vivia todas essas coisas.”, completou.

Marlo enfrenta outro personagem que representa juventude e vitalidade, frescor e energia que ela perdeu ao longo do caminho. Esta é Tully (Mackenzie Davis), uma jovem babá e, nas palavras de Reitman, poderia ser considerada uma espécie de “Mary Poppins moderna”. Entre elas será estabelecido um diálogo de identificação constante. Tully vai ser o gatilho para Marlo enfrentar de verdade as mudanças que ocorreram em sua vida.

De fato, a visão oferecida pela maternidade (que inclui um assunto tão delicado como a depressão pós-parto) está muito distante do espaço idílico que grande parte do cinema foi responsável por mostrar até agora. Como diz Reitman, é hora de quebrar muitos dos estereótipos que cercam as mulheres. E, nesse sentido, ele se sente grato por estar rodeado de grandes companheiros e companheiras de viagem que contribuíram com seu ponto de vista feminino essencial para compor essa história: “sem elas, isso não teria sido possível”. Referindo-se a produtora Helen Estabrook, a atriz Charlize Theron e Diablo Cody. “É engraçado, porque eles e eu temos mais ou menos a mesma idade, e ter vivido estas questões da mesma maneira é uma experiência esclarecedora”. Confira ao trailer e não esqueça de deixar seu comentário logo abaixo!