Crítica: Jurassic World-Reino Ameaçado

Jurassic World-Reino Ameaçado

Após o sucesso feito por Jurassic World-O Mundo dos Dinossauros, a Universal Pictures nos presenteia com sua sequência: Jurassic World-Reino Ameaçado (Jurassic World-Fallen Kingdom) e eu fui assistir a este filme na pré-estreia e vou, agora, fazer minha crítica para vocês, meus amigos.

Sinopse

O filme se passa três anos após os acontecimentos do primeiro. A ilha Nublar está desativada, mas os seres pré-históricos ainda vivem por lá soltos na floresta. O problema é que um vulcão presente no local está prestes a entrar em erupção e isso dizimaria toda a população de dinossauros mais uma vez. Isso gera um questionamento moral entre a população humana: devemos deixá-los morrer ou cuidá-los, para que prosperem? E se prosperarem, como podemos garantir que a preservação deles não será a nossa extinção?

Jurassic World-Reino Ameaçado

Então, o governo decide não interferir afirmando ser natural a extinção dos dinossauros. Com isso, grupos com o intuito de salvá-los são criados e a responsável por um destes grupos é Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), a antiga gerente do parque Jurassic World. Ela é chamada por Benjamin Lockwood (James Cromwell), um senhor que foi sócio de John Hammond na construção do Jurassic Park para poder salvar os animais da extinção e levá-los para um santuário onde poderiam viver felizes. Claire sabe que irá precisar da ajuda de Owen Grady (Chris Pratt). E nisso nossa aventura começa.

Sobre A Direção

A direção do longa ficou nas mãos de Juan Antonio Bayona, responsável por filmes como O Orfanato e Sete Minutos Antes da Meia-Noite, isso pode ser uma das causas do filme ser melhor do que o primeiro, dirigido por Colin Trevorrow. O diretor traz sua marca nesse filme, não se limitando a prender a atenção do público apenas com cenas de ação, mas também com muito suspense de roer as unhas. É visível para o público quando o diretor sabe o que está fazendo e Bayona soube fazer este filme com maestria. Diferente do primeiro, este não possui arcos que não levam a lugar nenhum. Aqui, tudo que é mostrado ao público tem um motivo, origem ou consequência futura, tudo faz sentido.

Jurassic World-Reino Ameaçado

Bayona faz uso de uma forma de suspense “criada” por Spielberg no filme Tubarão. Que, em cenas de suspense, a própria ideia da presença da ameaça já te causa medo e nervosismo, não sendo necessário mostrar o dinossauro para que o público tenha medo da ameaça que ele possa trazer. Porém, o diretor não faz isso aos moldes de Spielberg e, sim, aos moldes de Hitchcock, em que o público sabe tudo que está acontecendo, mas o personagem não e isso causa uma ansiedade e nervosismo em quem assiste, vendo o “mocinho” correndo perigo sem saber. Tudo isso envolve muito durante o filme, te fazendo mergulhar de cabeça na trama.

Atuações Destaque

O personagem de Chris Pratt, Owen Grady, se mostra mais maduro neste filme, perdendo a pitada de humor que foi feita no primeiro, mas mantendo a essência do personagem apresentado anteriormente. Owen inicialmente mostra-se indiferente ao que pode acontecer aos dinossauros e isso ajuda o personagem a crescer quando enfim ele aceita que precisa salvar os animais, sobretudo sua querida amiga Blue, a velociraptor.

Jurassic World-Reino Ameaçado - Chris Pratt

Enquanto a personagem de Bryce Dallas Howard, Claire, se mostra um pouco diferente do que conhecemos. É fato que ela mudou de personagem já no primeiro filme, após todos os acontecimentos. Porém, neste, vemos Howard atuando muito mais estérica, gritando muito mais exageradamente do que a Claire que conhecemos em O Mundo dos Dinossauros. Mas isso não diminui a atuação entregue pela atriz. Ela se entrega ao papel, fazendo ser possível sentir a dor que Claire sente com o risco vivido pelos dinossauros.

Jurassic World-Reino Ameaçado - Bryce Dallas Howard

Uma surpresa que o filme traz é a atriz mirim Isabella Sermon que vive a pequena Maisie Lockwood, neta de Benjamin Lockwood. A garota, na minha opinião, foi uma revelação assim como Dafne Keen foi em Logan. O espectador se apega à personagem, ela possui a ingenuidade e doçura infantil ao mesmo tempo que traz uma inteligência e maturidade para querer cuidar do avô doente. Isso sem contar o fato de que ela é chave principal de um dos maiores plots do longa.

Jurassic World-Reino Ameaçado - Isabella Sermon

Vale também citar a participação especial de Jeff Goldblum com seu icônico papel da trilogia inicial, Dr. Ian Malcolm. Seu tempo de tela é curto, mas o roteiro valoriza o personagem, trazendo o discurso mais reflexivo do filme. É através do personagem de Goldblum que, tanto o público quanto o governo americano (no filme), a criação de dinossauros saiu do controle e levanta o questionamento principal do filme sobre se a preservação deles causaria nossa extinção.

Jurassic World-Reino Ameaçado - Dr Malcolm

Seríamos Nós Os Monstros?

O filme, assim como o primeiro, aborda a ganância e ambição humana. O pensamento de pessoas gananciosas sobre os seres que foram criados. Pessoas que querem usá-la para tirar proveito, buscando o lucro. Inclusive, este aspecto em O Mundo dos Dinossauros é deixado em segundo plano, enquanto neste novo filme é principalmente sobre sendo um dos plots principais. Isso é muito interessante porque nos faz pensar se os monstros são os dinossauros ou nós mesmos. Afinal de contas, nós os criamos e eles só seguem a natureza deles.

Características Técnicas

A fotografia do filme é muito bem feita, com planos bem próximos dos dinossauros, sendo possível ver detalhes do ótimo CGI que o filme utiliza. Em algumas cenas o espectador enche os olhos com a beleza da cena ao mesmo tempo em que fica tenso com os fatos que estão ocorrendo, como em uma cena específica que ocorre embaixo d’água. Um ótimo trabalho feito por Óscar Faura, diretor de fotografia do filme, assim como vários outros de seus trabalhos como em O Jogo da Imitação (2014) e O Orfanato (2007).

Jurassic World-Reino Ameaçado - Fotografia

A trilha sonora ficou nas mãos de Michael Giacchino e traz grande nostalgia com composições que lembram muito o trabalho feito por John Williams em Jurassic Park (1993). As músicas do filme conseguem, unidas com a fotografia, mostrar cenas com ar épico, desde closes diretos em um dinossauro rugindo, com a música ao fundo até cenas de suspense em que a música (ou a ausência dela) compõe a tensão, te deixando na ponta da poltrona roendo os dedos.

Destaco ainda o CGI e o roteiro que rodeia os dinossauros, principalmente a rapto Blue. Quando um filme consegue te fazer ter sentimentos por um personagem que você sabe ser falso, pode dizer sem medo que este tem um bom roteiro. O público sente tristeza pelo risco que os dinossauros correm e ainda mais tristeza pelo que pode acontecer com Blue. O roteiro sabe construir e apresentar a história da personagem de modo a fazer quem assiste ter envolvimento emocional com ela e isso é incrível pelo fato de Blue ser completamente feita de computação gráfica. Mérito pro filme!

Jurassic World-Reino Ameaçado - Blue

Problemas do filme

É verdade que poucos filmes podem ser ditos perfeitos, e, infelizmente, Jurassic World-Reino Ameaçado não é um deles. Comparado a seu antecessor, ele possui menos problemas, mas ainda assim, os problemas existentes precisam ser comentados.

O primeiro problema que senti assistindo o filme foi a indiferença mostrada por Owen sobre os dinossauros. Como disse acima, isso ajudou a crescer o personagem, mas pelo que conhecíamos Grady não daria as costas para Blue, sabendo que ela estava prestes a morrer. Em minha opinião, foi um pequeno erro de continuidade da franquia em si. Este problema não estraga em nada o filme, mas é algo que causa bastante estranheza à princípio.

Jurassic World-Reino Ameaçado - Chris Pratt Sad

O segundo problema que gostaria de destacar é o alívio cômico. No filme anterior, o alívio cômico era deixado nas mãos do personagem de Pratt, com piadas pontuais e com “timing” correto. Mas em Reino Ameaçado, o humor ficou por conta do personagem Franklin Webb, vivido por Justice Smith que não entrega um bom humor. Na sala em que estive, nenhuma das pessoas soltou uma risada das piadas ditas por ele. Algumas são até muito clichês como, após uma situação de perigo, ele soltar a clássica “Eu estou morto?”. É uma tentativa de humor falha e cansativa que mais chateia do que qualquer coisa.

Jurassic World-Reino Ameaçado - Franklin Webb

E isso nos leva ao terceiro problema. Devido à falta de alívio cômico, já que o personagem que o faria não dá conta, o filme acaba não tendo pausas na tensão. O suspense é o tempo todo em tela, o público fica muito nervoso, mas com o tempo, isso passa e o envolvimento com o filme é dispersado temporariamente. Porque, afinal de contas, suspense por muito tempo não é mais suspense, você passa a achar normal e perde o tom do filme.

Avaliação Final

Jurassic World-Reino Ameaçado é um ótimo filme de suspense capaz de deixar uma sala inteira em completo silêncio e atento para qualquer movimento que venha a ser feito. Apesar dos problemas, o filme é um ótimo divertimento e fez a franquia ir por um caminho em que as possibilidades são infinitas, saindo da mesmice dos filme “Jurassic”. É um filme que faz o espectador se sentir emocionado, tenso e envolvido com o drama vivido pelos personagens. E a nota que deixo para ele é de 4,5 de 5. =D

Jurassic World-Reino Ameaçado

E você? Já aproveitou a pré-estreia para assistir Jurassic World-Reino Ameaçado? Pretende assistir no cinema? Fala pra a gente, e quando assistir, volta aqui para discutir nos comentários! =D

Lucas Gabriel

Estudante de Tecnologia da Informação, apaixonado por cinema, música e boas histórias de terror e drama! Adora discutir teorias malucas sobre séries ou filmes. Nerd assumido desde pequeno. Fã do Quentin Tarantino (inclusive acredita na teoria de que todos os filmes formam um só), Star Wars, Harry Potter, FRIENDS e filmes, como Laranja Mecânica, Donnie Darko e Nosferatu.